Nesta semana ele venceu mais uma
batalha: é mestre em Ciências da Comunicação. Nossa pequena história fechou
mais um de seus ciclos, um árduo ciclo.
Foto: Natália Cohén
Sempre admirei muito a coragem do
Diogo. Lembro de uma conversa que tivemos lá atrás, na beira do rio Guamá, na UFPA,
quando ainda éramos graduandos. Eu dizia que não sabia muito bem o que faria
depois de terminar a graduação. Eu não me imaginava sendo professora, viajando
para fora do Pará para fazer pós-graduação. Tinha uma visão muito pequena. Na
verdade, sempre fui muito medrosa, insegura. Mas ele não: naquela época já
falava em viajar, estudar para fora.
Algum tempo depois, quando ele já
era formado e eu também, o mestrado em Ciências da Comunicação da UFPA foi aprovado.
A notícia foi muito comemorada, e nós estávamos muito próximos da equipe que trabalhou
para isto acontecer. Nós dois nos inscrevemos no processo seletivo: escrevemos juntos
nossos projetos, ajustamos juntos o nosso Currículo Lattes, torcemos juntos um
pelo outro. Quando o resultado da prova escrita saiu, eu passei e o Diogo não.
Lembro desse dia como se fosse ontem: estávamos na Academia Amazônia, na UFPA,
e eu não comemorei. Chorei muito (muito mesmo, que deu até vergonha...).
Lamentei muito. E lembro das minhas palavras a ele: “Se eu pudesse, eu abria
mão da minha aprovação pela tua”. E eu falava do fundo do coração, estava sendo
muito sincera. Ele desejava aquilo há mais tempo que eu, era ele quem sonhava
mais que eu com essa pós-graduação.
Mas ele comemorou e me incentivou a
continuar. E eu consegui. Ele esperou mais dois anos, e entrou em seguida.
Viveu um processo diferente do meu, e mudou por completo seu objeto de estudo
(no 1º processo seletivo o pré-projeto dele era sobre animação!). E ele foi
feliz durante esses dois anos. Mesmo em meio a tantas lágrimas, cansaço,
distância dos amigos e da família, economias, valeu a pena! Cresceu, enquanto
pessoa e profissional. Conseguiu trabalhar com o que realmente ele gostava, a
cibercultura. Teve a oportunidade de conhecer e estar perto de pessoas
incríveis, como a Prof. Ivânia Neves.
Hoje vivemos a expectativa do
doutorado e de sermos professores juntos. Que graça! Papai do Céu é muito bom
com a gente, embora sejamos muito ingratos às vezes. Tá certo que a gente já
divide quase tudo, porque fizemos as mesmas escolhas na vida:
Jornalismo/Pós/Docência/ParóquiadeLourdes/Caju/AmigosemComum/FamíliasAmigas e
por aí vai... Mas isso nos une ainda mais, e nos torna mais amigos um do outro.
Que venham as outras provações, pois
eu tenho o melhor exército ao meu lado! E meu soldadinho de chumbo é meu fiel
escudeiro! Te amo, Mestre Diogo Miranda!
Foto: Natália Cohén

