sábado, 22 de março de 2014

Para ele

Nesta semana ele venceu mais uma batalha: é mestre em Ciências da Comunicação. Nossa pequena história fechou mais um de seus ciclos, um árduo ciclo.

 
Foto: Natália Cohén


Sempre admirei muito a coragem do Diogo. Lembro de uma conversa que tivemos lá atrás, na beira do rio Guamá, na UFPA, quando ainda éramos graduandos. Eu dizia que não sabia muito bem o que faria depois de terminar a graduação. Eu não me imaginava sendo professora, viajando para fora do Pará para fazer pós-graduação. Tinha uma visão muito pequena. Na verdade, sempre fui muito medrosa, insegura. Mas ele não: naquela época já falava em viajar, estudar para fora.

Algum tempo depois, quando ele já era formado e eu também, o mestrado em Ciências da Comunicação da UFPA foi aprovado. A notícia foi muito comemorada, e nós estávamos muito próximos da equipe que trabalhou para isto acontecer. Nós dois nos inscrevemos no processo seletivo: escrevemos juntos nossos projetos, ajustamos juntos o nosso Currículo Lattes, torcemos juntos um pelo outro. Quando o resultado da prova escrita saiu, eu passei e o Diogo não. Lembro desse dia como se fosse ontem: estávamos na Academia Amazônia, na UFPA, e eu não comemorei. Chorei muito (muito mesmo, que deu até vergonha...). Lamentei muito. E lembro das minhas palavras a ele: “Se eu pudesse, eu abria mão da minha aprovação pela tua”. E eu falava do fundo do coração, estava sendo muito sincera. Ele desejava aquilo há mais tempo que eu, era ele quem sonhava mais que eu com essa pós-graduação.

Mas ele comemorou e me incentivou a continuar. E eu consegui. Ele esperou mais dois anos, e entrou em seguida. Viveu um processo diferente do meu, e mudou por completo seu objeto de estudo (no 1º processo seletivo o pré-projeto dele era sobre animação!). E ele foi feliz durante esses dois anos. Mesmo em meio a tantas lágrimas, cansaço, distância dos amigos e da família, economias, valeu a pena! Cresceu, enquanto pessoa e profissional. Conseguiu trabalhar com o que realmente ele gostava, a cibercultura. Teve a oportunidade de conhecer e estar perto de pessoas incríveis, como a Prof. Ivânia Neves.

Hoje vivemos a expectativa do doutorado e de sermos professores juntos. Que graça! Papai do Céu é muito bom com a gente, embora sejamos muito ingratos às vezes. Tá certo que a gente já divide quase tudo, porque fizemos as mesmas escolhas na vida: Jornalismo/Pós/Docência/ParóquiadeLourdes/Caju/AmigosemComum/FamíliasAmigas e por aí vai... Mas isso nos une ainda mais, e nos torna mais amigos um do outro.


Que venham as outras provações, pois eu tenho o melhor exército ao meu lado! E meu soldadinho de chumbo é meu fiel escudeiro! Te amo, Mestre Diogo Miranda!

Foto: Natália Cohén